quarta-feira, 24 de junho de 2015

Usuário



Sou um viciado
 Uso sempre.
 Às vezes, com papel
 Outras, com algo afiado
Não consigo parar
 É um vício
 Não para
 Não, para!

Já tentei outras drogas
 Amar, por exemplo
 Mas não é tão bom
 Eu não.
Sou velho,
 Para festas,
 Demais.
 Entenda.
Então, uso.
 É um paliativo
 Gosto da dor,
 Às vezes.
Não tente
 Nem tudo é...
 Hum, cognitivo
 Não sou
Portanto,
 Na dor,
 Poesia,
 Uso.


Luiz Jonatan

Dez e nove passos



Quero viajar
 Mas não quero chegar
 Porque...bem,
 O destino pouco me importa


Gosto mesmo do caminho
 De caminhar
 Das imagens velozes,
 Que passam


Mas andar cansa
 E pauso os passos.
 É, o tempo não para...
 Passara e fui esquecido


E ando mais rapidamente
 Contudo, em vão:
 O destino não importa
 Muita coisa também.


E o pensar me é horrível
 Então corro,
 Mas não consigo ver,
 Resvalo em mim


A lama é perfeita infusão
 Extrai
 Conserva o corpo
 Preserva o nada


Mas o sol sempre vem
 A lama seca
 Resseca minha pele
 Volvo-me a andar


Entre dez e nove passos
 Não há diferenças significativas
 Um passo esquecido
 É fácil olvidar


Estou cansado...
 Deitar-me-ei ali
 Que não me incomode o Sol
 Aceito a companhia da lua


Uma paisagem bucólica
 Folhas esvoaçam
 O sol se põe
 Chuva


Luiz Jonatan