quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tu sentes?

Tu sentes?

Que será mais triste,
Viver sem sentir
Ou sentir que não vive?
Será isto triste ou o fito demais?
Talvez, se não fito, não sinto
E, sem sentir, não sei viver
E se o viver independe do sentir,
Tu sentes o não sentir?
Se não sentir o não sentir,
Será que sentirei o sentir?[...]
Não há sentido no sentir
E tampouco no não sentir
Mas, se não há sentido,
Por que insistir no sentir?
Tu insistes no sentir?
Sentir é demasiado perigoso...
Cuidado como que sentes!
Se sentires demais, há perigo
Podes acabar por não mais sentir
De tanto que sentia
Porém havia - sempre há - o não sentir
de quem tu tanto sentias [...]
E agora, sentes o não sentir?
A vida em si transborda de sentidos
Dos quais nada se sente
Não há razão no sentir o não sentir
Porém sentir independe a nossa filosofia
Sentir exige demais:
É preciso coração,
É preciso sentimento,
É preciso a junção de ambos,
É preciso não precisar
E tal necessidade se instala por entre o vácuo,
Eliminando deste a essência
Que havia entre o sentir e o não sentir.
Tu sentes?
Luiz Jonatan


Arrastão

Arrastão

Socorro, levaram minha vida!
Foi no Brasil, na Liberdade
Levaram minha vida, sem piedade
O poder legítimo caiu
E o caos se instalou
(O que já existia, só se exaltou)
Caídos no chão, jazidos no asfalto
Meus direitos perdidos, tomados de assalto
Ir e vir é de poucos
Bem como viver
Nossas vidas tomadas
Tomadas no arrasto
Meus direitos perdidos, tomados de assalto.
Me dizem que a culpa é minha
''Quem manda dar bobeira?!''
Verdade...somos todos culpados.
 Por isso, em casa, vivemos engradados...
Com medo da sombra
Claro, é preta! (não que eu seja racista)
(racista é o branco)
Ave Maria! Roubaram a rima!
Bem feitio, poema. Quem manda rimar?!
Olha pra lá, que delicia! Toda ''se bulindo''...vamos pegar!
Arrasta essa nega, vamos jantar !
Ei, esconde na meia (o que foi arrastado).
Fecha as portas, São Salvador
Não salvou a si mesmo
E ninguém há de salvar...
Chuta a bola, menino
Faz de trave os cadernos
Er...Senhor deputado, sai dinheiro de seu terno abastado
Chuta a bola, menino
Antes da Copa acabar...
Deixa pra lá o destino:
Ninguém precisa estudar.
Quem pensa demais morre
Gregório, Renato e Eistein que o digam
E toda essa segurança me entedia!
Iposso tudo com apenas um toque
Samsom cortou os cabelos
E a moto rola pela cidade
Eita porra, arrastaram!
Arrastaram a cidade!!!

Luiz Jonatan

domingo, 11 de maio de 2014

Mães

Mães 


Cá, no ocidente planetário, diz o calendário civil
Que o segundo domingo de Maio é delas
Das mães

As mesmas mãos que empunham neste dia rosas
Que depositam no seio de suas amas
São algozes fezes defecadas, não paridas
Que neste dia, por força do hábito, se perfumam

Prostrando por terra esse meu naturalismo atroz,
Há filhos que são dignos de tal título
Não foram cagados e sim paridos
Por um ventre divino e amaldiçoado

É pecado olvidar as mães tias, avós, mulheres
Também o é expurgar os homens-mãe
Mas confesso que elas são elas
E que ser mãe é espelhar-se em divindade

Ser mãe é ir além das limitações humanas
Sem deixar de lado a humanidade;
É entregar-se em função dos filhos
E das fezes defecadas

Não sou, eu nada, digno de definir tão sublime ser
E, por isso,como mesmo proclamam:
"Quando forem mães, saberão o que é ser uma".


Diálogo de polos

Diálogo de pólos


Certa vez, nas muitas voltas da vida,
Uma dama, olhos negros vesanos,
Ignota, porém conhecida,
Questionou, de sobressalto, meu ser insano

''Como vai ela?''
Quem diabos seria?!
''A poesia em sua vida''
Ah, esquecer, quem pudera?

Ainda mais eu, plangente
Que dos versos às volúpias de um poema
Atroz, incapaz e dolente
Desconhece onde de si é são ou doente

Ele me vem - o poema - de repente
Fico pávido, pesaroso e contente
E a luxúria dos vocábulos me inebriam
Em meio a um gole de melancolia

Minha erma inspiração é ignota à luz
Mas, no breu de minh'alma, mostra as faces
E o que dizem ser ''autismo'' é confusão una

Diga-me você, dama de hábeis perguntas,
Como poderia eu, verme mortal pungido, feliz (?),
Abster-me da divã de minha vida?!


Luiz Jonatan