Às vezes sei - mesmo que não deseje - que são dias daqueles. Acordo como se o pesar e o peso do mundo se instaurasse em meu coração e em minhas costas. Odeio - os. Nem sei como melhor descrever tais dias estando em um deles. Todavia sei bem como os sentir. Isso é demasiado chato: a concentração se vai ao passo que chega a ansiedade, os pensamentos se transladam à velocidade da luz no vácuo de certezas que se faz em mim, as buzinas, as crianças que choram, o embalar do ônibus me matam e nada faz sentido. Na verdade, nada faz sentido. A diferença reside no quanto estamos dispostos a filosofar acerca disso. Nem a vida faz sentido. O problema é que tem dias sorteados à filosofia que acompanhada de hiponoradrenalinoses causam um estrago...Pior, ainda, quando sua vida se torna uma verdadeira lotérica e o desejo de não ter nascido se torna eminente e algumas cognições iminentes [...].
Em dias daqueles, bom seria se desvincular de qualquer possível lógica e afins. Bom seria dormir uma semana e não ser necessário acordar porque sua liberdade de escolha está prostrada aos pés de uma tendenciosa linha de rotina, de "escolhas". Bom seria andar descalço sem rumo e não o julgarem louco ou alvo de assalto por isso [...]. Por fim, chorar, talvez, também fosse um bom paliativo, mas nem isso é possível em nenhum dia.
Luiz Jonatan