Acabei de ler o livro e um homem foi morto há pouco. Isso faz da vida uma comédia: morrer: modificamos o espaço, nos subordinamos às regras e morremos rapidamente, como campanhas de candidatos ditos excêntricos na T.V; deixamos calcificar as células num segundo enquanto outros nem notam nossa existência ou, como acaba de ocorrer, a nossa inesixtência.
Me sinto não-vivo e ouço de sua mãe o pranto. Parecia que o dia, indubitavelmente, seria normal. Morrer é normal, mas não lembro de mortes do tipo por aqui[...].
Há dias que são escolhidos para que ocorram as coisas, outros não. Há dias em que nos sentimos felizes ou triste, todavia há também aqueles nos quais me sinto os dois. É estranho, mas havia me acostumado, e ouço d'A Via Lactea' a 'Fidelity'. É como hoje. Penso novamente no que fazer, por que fazer e quando fazer. 'Fake Plastic' é perfeita tal qual aquele dia na praia. Me sentia parte do silício da areia, do o oxigênio inalado por nós e também do gás carbônico. O sol estava lindoo e o ceu de um azul alegre. Me lembro que o mar também estava feliz (pelo menos parecia) e se demorou a nos alcançar. Assim, dois de nós fora a seu encontro, mas ele estava frio. Não o entendo, porque diz coisas felizes, mas não há um brilho profundo em suas águas (é frio às vezes) e recua ao passo que se aproximam. Mesmo assim, fomos a seu encontro e mergulhamos, como sempre, receosos. Depois o sol se pôs sem sequer nos acusar, mas não me importei muito (ninguém o fez) porque nada daquilo de fato era tão importante quanto eram os que estavam ali. Era hora de partir. O fizemos e não endornamos corpos: permanecemos sentados e a música era legal. No entanto, era um dia de ambos e ela, o ônibus, o fim da dopamina, alguma coisa me fez lembrar o outro lado deste tipo de dia. Às vezes até tenho um sorriso doentio ao pensar o quão paradoxal alguém pode ser. Seria profundamente pesaroso com alegrias superficias ou alegre com profundas quedas, afinal não somos máquinas hormonais, de dopamina? O que sei é da violenta mudança de humor e do silêncio que paira agora que sua mãe se calou. Sei, ainda, que gente assim, as que fazem rir, na verdade são tristes no fundo. Não sei como conseguem. Não cogito muita coisa. É difícil fazê-lo quando não há imparcialidade. Por fim, ele morreu, sua mãe parou de chorar, o livro acabou e o sono se aproxima. O que ocorre durante este último também me instiga.
Luiz Jonatan, 00:00
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