Eram onze da manhã.
Não, não: dez e quarenta e oito,
E os olhos, relutantes, se abriram.
O sono não fora um dos melhores
Normal, ultimamente,
Porque, intimamente, o desejo é outro.
Enfim. Mais um dia
Há quem agradeça, sei
Bem como quem deseje mais um.
É uma questão entre o ser e existir [...]
Há dias que coexistem,
Outros, porém, que só de existir vive o homem
E, às doze, permanecia na cama
Deveria agradecer por possuí-la
Contudo, a dor cega
E a inércia é uma droga
Vicia, mas alivia também
A vida, pois, é um pouco disso tudo
As horas passam e nos enganamos
Cada vez mais.
O ponteiro sempre tem o ápice das doze
E a fossa das seis. São fatos.
Tentamos as três ou nove
Mas, um dia, o relógio há de parar.
Luiz Jonatan Fernandes Ambrozio
quinta-feira, 24 de agosto de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Dez e Doze
Eu te amo
Será o bastante dizê-lo?
Não. Não com palavras:
São demasiado superficiais...
Ademais, meu amor,
Por ti nutro eterna paixão
Que queima e renasce
A cada presença tua.
É como a primeira vez
O encanto não morre
Refloresce
E teu perfume me enebria
Eu sinto a urgência do teu cheiro,
Da tua respiração.
Sinto a urgência de tuas mãos
Com vagar às minhas...
Escapa-me o sorriso
Como criança travessa
Sussurro "te amo"
De gestos, somos eternos
Luiz Jonatan
segunda-feira, 1 de maio de 2017
O sou
Ninguém
O sou
Conjugante do Vazio
e do não ser
Eu vou
Nas ruas vazias,
fugaz como o partir
De quem não vai
E eu volvo-me
Ao som do meu nome
que Ninguém sabe.
É, eu sei ser
além do zero,
do colchete vazio,
como minhas entranhas o são
Leves como o adormecer de quem vai
Sou muito de vocês!
Sim, além de mim...
Só um deus do esquecimento
e do olvidar.
Os olhos humanos não me veem
deitado nas ruas
Me pisam.
Ninguém se importa...
Não me veem chorar
Gritar em silêncio
Minha paralisia do sono
A loucura contida
Ninguém me vê como realmente sou
Nem na fugaz partida
Porque o sou
Eu sou o Ninguém.
Luiz Jonatan
O sou
Conjugante do Vazio
e do não ser
Eu vou
Nas ruas vazias,
fugaz como o partir
De quem não vai
E eu volvo-me
Ao som do meu nome
que Ninguém sabe.
É, eu sei ser
além do zero,
do colchete vazio,
como minhas entranhas o são
Leves como o adormecer de quem vai
Sou muito de vocês!
Sim, além de mim...
Só um deus do esquecimento
e do olvidar.
Os olhos humanos não me veem
deitado nas ruas
Me pisam.
Ninguém se importa...
Não me veem chorar
Gritar em silêncio
Minha paralisia do sono
A loucura contida
Ninguém me vê como realmente sou
Nem na fugaz partida
Porque o sou
Eu sou o Ninguém.
Luiz Jonatan
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