segunda-feira, 1 de maio de 2017

O sou

Ninguém
O sou
Conjugante do Vazio
e do não ser

Eu vou
Nas ruas vazias,
fugaz como o partir
De quem não vai

E eu volvo-me
Ao som do  meu nome
que Ninguém sabe.
É, eu sei ser

além do zero,
do colchete vazio,
como minhas entranhas o são
Leves como o adormecer de quem vai

Sou muito de vocês!
Sim, além de mim...
Só um deus do esquecimento
e do olvidar.

Os olhos humanos não me veem
deitado nas ruas
Me pisam.
Ninguém se importa...

Não me veem chorar
Gritar em silêncio
Minha paralisia do sono
A loucura contida

Ninguém me vê como realmente sou
Nem na fugaz partida
Porque o sou
Eu sou o Ninguém.

                                                                                                    Luiz Jonatan



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