quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Particular



Uma alma mutilada doi.
As partes perdidas choram, desejam se unir
Reunir e humanizar.
A carne é solida,
mas a alma, incorpórea
Dual como a radiação
Ondular e flutuante
Ora oscila, ora doi
Na dor, matéria
No mais, onda.
Se conserva
Uma dança atômica
Com idas e vindas de elétrons
Vão e vem as pessoas
E se perdem em trajetória
É triste a dualidade
Serei eu onda ou partícula?
É difícil permanecer.
Propago-me por vós
Mas perdoem os efeitos
Não consigo controlar
Corro o risco de destruir
Assim, não creia em mim
Não prometo constância
Meu trajeto é incerto
E alma, partida.


Luiz Jonatan

A lua


Há muito esquecemos de olhar.
Não há tempo.
Não há vagas.
Não ar.
O tempo é curto
Somos imediatos
E a fazer de tudo
Não fazemos é nada
O homem é abstrato...
Montado em verdades
Suas benéficas, diz, ilusões
Busca uma morfina
Se entorpecer
Porque viver dói
E não gostamos de viver
Andamos apressados
Exalamos medo Constante
Viver?
Seu contrato, senhor,
Uma merda, é.
Não vivemos bem
Usamos entorpecentes
E não ha tempo
Não pensar
Não pulsar
Viver? Não há tempo


Luiz Jonatan

Impressões


Não me olhes por demasia
Odeio que o façam
Não sou exposição
Contudo, me ouças
Não os sons:
Os silêncios
As palavras
Lê os meus gestos
E os nãos.
Dizem algo,
Saibas
De tudo
Anseio paz
Solidão
Ar
Não me olhes
Não nos olhos
Do contrário
O farei também


  Luiz Jonatan