quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Particular



Uma alma mutilada doi.
As partes perdidas choram, desejam se unir
Reunir e humanizar.
A carne é solida,
mas a alma, incorpórea
Dual como a radiação
Ondular e flutuante
Ora oscila, ora doi
Na dor, matéria
No mais, onda.
Se conserva
Uma dança atômica
Com idas e vindas de elétrons
Vão e vem as pessoas
E se perdem em trajetória
É triste a dualidade
Serei eu onda ou partícula?
É difícil permanecer.
Propago-me por vós
Mas perdoem os efeitos
Não consigo controlar
Corro o risco de destruir
Assim, não creia em mim
Não prometo constância
Meu trajeto é incerto
E alma, partida.


Luiz Jonatan

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