segunda-feira, 23 de junho de 2014

O palhaço triste

Há um palhaço chorando
Soluçando na cidade escura
Uma lembrança em cada traço
De seu rosto, sorrindo de amargura

Está cansado de encenar
Uma mentira, uma peça
E teu olhar - outrora de alegria -
Sem brilho, hoje, inebria

Ele sabe, mesmo odiando saber
Que por mais que esconda
Com tinta branca, vermelho na ponta,
De si não pode esconder

Há um palhaço chorando
Soluçando na cidade escura
Uma lembrança em cada traço
De seu rosto, sorrindo de amargura

Ah, palhaço vadio,
Vai trabalhar!
Que queres fazer, vazio?
Não sabes amar!

Tua vida é parnasiano poema
Preocupaste com a forma
Descuidando do tema
Triste palhaço: secou, não chora

Sorrindo com os olhos
Sepultando seu ser
Esperando a morte
Pensando que assim pode viver

                              Luiz Jonatan

sábado, 21 de junho de 2014

Tudo Certo

Tudo Certo

 
Tudo certo, relaxe
Sempre está assim
É de praxe!
Sobre mim,
Saiba que vendi a alma
Antes de nascer
Sem nunca viver
Nunca fui eu
Nem sei quem diabos sou
Perdi a calma
Me restou o ninguém
Eu sou...quem sou?
Enfim
Mais um dia
Às vezes esperança
Uma alegria, uma alergia
Um corte, uma úlcera
Feridas, soslaios machucam
Esvaiu-se de mim a doce criança
E a borra em coma induzido, imposto
Representa tão bem o que fora subtraído
Desprovido da essência que nunca existiu
Desenhos, palavras, sons velados
Sonhos nublados não precipitam
Sorrisos sem nanotraços de dor
Amor é coisa de criança
Sonhos nublados
Não precipitam
Que derrame então rosas vermelhas
Sobre chagas, crepitem
Queimem o verme em labaredas ferventes
Não, não o façam no inferno
O inferno não é quente o bastante
Tudo certo, relaxe
Só espere um instante [...]
Chorar é de praxe
"Don't cry"
Deixe-me em paz
O barulho interno é o bastante
Silêncio!
Diga-me você:
De que serve a vida de um verme?
Talvez o porquê seja a morte:
Alguém tem que fazer o que ninguém quer
Beber chorume em vez de café
Comecar pelas víceras, deixar cabelos e dentes
Fazer olvidar, como algo sem importância,
A quem jurara ser eterno.
Tudo certo...
Enquanto for conveniente juarar, juras
Se necessário, ou melhor, é a verdade: minta
Mais um aniversário, alguns acidentes
Talvez ela chegue e o verme nem sinta.
Clichês
Luiz Jonatan

Chove

Chove


Está chovendo la fora...
As gotas caem no chão
Emitem sons [...]
Ei, espere!
Elas estão me contando histórias
Histórias de pessoas
Que deixam suas lágrimas correr
Correm com ela
Compartilham sofrimentos, histórias de vida.
A chuva tem muito a me contar
Deitar-me-ei agora para dormir
Ouvindo essas histórias
Dormir para acessar meu mundo
Para sonhar
Sonhar para ter um bom sono
Sonhar dormindo para esquecer o autoabandono
Enquanto a chuva cai.
 Luiz Jonatan
 

sábado, 14 de junho de 2014

Sonhos Acabam

Sonhos Acabam


Abri os olhos
Acordei de um sonho tão bom...
Eu realmente era feliz
Minha maior preocupação era o ser

Por que sonhos acabam?
Porque se vão quando a lua se vai.
Quero alguém que me aceite
E entenda que sou o que não sou

Só ele saberá
Só ele entenderá 
Como é o meu amor
Estranho amor

Quero alguém que escute
As palavras do meu eterno silêncio
E me defenda de mim mesmo

A dor nasce do meu amor
Pela paixão 
É sangrar até morrer

Quero alguém que me abrace quando chorar
Nas noites em que penso "sonhos acabam"
Que minhas lágrimas enxuge
E a alegria de saber que não estou só
Não faria do Sol um traidor.
Luiz Jonatan