sábado, 21 de junho de 2014

Tudo Certo

Tudo Certo

 
Tudo certo, relaxe
Sempre está assim
É de praxe!
Sobre mim,
Saiba que vendi a alma
Antes de nascer
Sem nunca viver
Nunca fui eu
Nem sei quem diabos sou
Perdi a calma
Me restou o ninguém
Eu sou...quem sou?
Enfim
Mais um dia
Às vezes esperança
Uma alegria, uma alergia
Um corte, uma úlcera
Feridas, soslaios machucam
Esvaiu-se de mim a doce criança
E a borra em coma induzido, imposto
Representa tão bem o que fora subtraído
Desprovido da essência que nunca existiu
Desenhos, palavras, sons velados
Sonhos nublados não precipitam
Sorrisos sem nanotraços de dor
Amor é coisa de criança
Sonhos nublados
Não precipitam
Que derrame então rosas vermelhas
Sobre chagas, crepitem
Queimem o verme em labaredas ferventes
Não, não o façam no inferno
O inferno não é quente o bastante
Tudo certo, relaxe
Só espere um instante [...]
Chorar é de praxe
"Don't cry"
Deixe-me em paz
O barulho interno é o bastante
Silêncio!
Diga-me você:
De que serve a vida de um verme?
Talvez o porquê seja a morte:
Alguém tem que fazer o que ninguém quer
Beber chorume em vez de café
Comecar pelas víceras, deixar cabelos e dentes
Fazer olvidar, como algo sem importância,
A quem jurara ser eterno.
Tudo certo...
Enquanto for conveniente juarar, juras
Se necessário, ou melhor, é a verdade: minta
Mais um aniversário, alguns acidentes
Talvez ela chegue e o verme nem sinta.
Clichês
Luiz Jonatan

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