quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Chronos

Eram onze da manhã.
Não, não: dez e quarenta e oito,
E os olhos, relutantes, se abriram.
O sono não fora um dos melhores
Normal, ultimamente,
Porque, intimamente, o desejo é outro.

Enfim. Mais um dia
Há quem agradeça, sei
Bem como quem deseje mais um.
É uma questão entre o ser e existir [...]
Há dias que coexistem,
Outros, porém, que só de existir vive o homem

E, às doze, permanecia na cama
Deveria agradecer por possuí-la
Contudo, a dor cega
E a inércia é uma droga
Vicia, mas alivia também
A vida, pois, é um pouco disso tudo

As horas passam e nos enganamos
Cada vez mais.
O ponteiro sempre tem o ápice das doze
E a fossa das seis. São fatos.
Tentamos as três ou nove
Mas, um dia, o relógio há de parar.

Luiz Jonatan Fernandes Ambrozio