quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Fones de Ouvido

Eu não aguento mais
Amigo, não há em mim
,força
Leva-me

Há muito peso a carregar
Mas não há força
Não me entendes
Nem eu

Eu que estou cansado
Cansado de mim
De mentiras,
De tudo

Demasiadas escolhas
não fiz, fizeram
Fizeram antes de mim
que estou tão cansado...

Retiro os sapatos
Fito a vida passando
Passos rasteiros, curvados
Passos inúteis e intermináveis

Amigo, está perto, o fim?
Andar sem rumo dói
Ser fraco também
Mas tu não entendes

Ninguém crê em belas palavras
em sentimentos, em mim
Procrastino o choro
Derramar-se-á? Talvez.

Não sei o que fazer, que falar
Não sei sequer chorar !
Eu não sei mais caminhar
Eu não sei de nada.

Amigo, me escuta?
Queria apenas silêncio,
Fones de ouvido
e coragem pra encerrar


Luiz Jonatan

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Saudade

I miss you
Darling you know
I didn't want but
yeah, I miss you

Quando ler este bilhete, retorna-o
Estarei onde não fomos
Eis o endereço
Vo-lo entrego agora

Todavia, não prometo amor eterno
Como tu, ele não existiu
Cem juras agora e
Sem mais, depois

Saiba que cegos não vêem
Amantes também não
E as cores são inumeráveis
Cada cego as vê particularmente

Sinto sua falta
E este bilhete será esquecido
O tempo não volta, é resoluto
Tu não podes voltar

Ao vento vai
Mas chove lá fora
As asas pesam mais
Dissolve-te

Arrasta a tinta vermelha
As palavras se vão
Permanece a memória
Não lês

Minhas mãos enrugadas
São mais frias que antes
E os olhos vêem melhor
Apenas mais um bilhete

Darling I miss you too

Luiz Jonatan




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Revoada

Passarinho?
Passarinho que passa!
Que se passa, passarinho?
Já passara?
Será que passa, passarinho?
Que é que faz passar, passarinho?
Eu quero que passe
Mas não passa...
Só  passam
Não permanecem
Os que desejo não passar
São passados, passarinho.
E eu não sei porque ficas
Tu não cantas!
Mas me encanta
O cantar...
 Me encanta o riso
Me encanta o encanto
Cantado aos quatro cantos
Me encantam os contos
Cantados, contados, encantados
Tu me encantas, passarinho
Mas sei que se aproxima
É iminente a revoada
E tu passas,não, passarinho?
Vai, voa.
Me encanta o voar.
Só não revoe o encanto
O encanto da passagem.
     Luiz Jonatan

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Esbarrão

Fora um dia tempestuoso
Uma noite de dia
O meu medo farejou o seu
Nossos tímidos olhares se esbarraram

Ambos buscando dizer algo
Talvez tenhamos conhecimento,
Talvez não, do quê
Você e eu, muitos papéis

A vida ama os atos
Então cá estamos nós
contracenando a mesma peça
Peça, peça o que queres

Te vi correr aquele dia
por entre os muitos degraus
com o destino empunhado
Velei a voz, não gritei

E os muitos planos selados
Talvez se dissolvam por uma palavra
Se dissolvam em lágrimas
Um dia ou vinte e três

Lhe desejo o mundo
amor, paz
Mas desejo pra mim, você
Não tenha medo

Aprendi a contemplar as coisas
Não é necessário as tocar
O toque transmite demasiadas coisas
Lembranças, fere a doçura

São tantos vocábulos
coisas a falar
mas não consigo
é só sorrir.

Luiz Jonatan


Mais uma vez


Todo o escrito se apagara
E a memória falha, olvida
Sendo sincero,
Deseja fazê-lo, a mesma

Encobre a face e se contrai
por entre escusos sentimentos
Confusos, aturdidos
Suspende os sentidos e descontrai

A cada passo incerto
grita a razão: cala-te, coração
Resoluto, ele vai
uma parada cardíaca

São sempre os mesmos erros
as mesmas pessoas,
Porém, não as mesmas
Com efeito, o mesmo eu

É sabido dos contos de fada
Mas não o é dos contos-tanto-faz?
Os bem sei e desconheço
O começo do meu fim.

Agora diz-me de valores
Abstração não recristalizada
num mundo onde se misturam
preço e valor, apreço e amor

Uma falsa solução
descoberta pelo efeito Tyndall
À luz de uma algoz sanidade
eis-me aqui mais uma vez

Já não empunho uma caneta
mas deslizam meus dedos pulsantes
O papel não fora esquecido
Mas aqui o erro pode ser destruído

Os erros são apagados, esquecidos
Mas a memória nem sempre falha
A memória é terrível sem querer
E mais uma vez, contração

Até quando remeteremos à nostalgia?
Se bem que há um emprego incorreto
Este vocábulo não expressa o que desejo
Porém, não há palavra que cumpra bem sua função

Não há aquele que sinta o mesmo
São outros invernos, outras cores
Não as vemos de mesmo modo
E há muitos de entender uma poesia.

Luiz Jonatan