Tu me cobras a infância
Quando já não mais sou criança
Tu me pedes passado
Quando não mais ha lembranças
Não sou
Não desejo
Não hei de vir a ser
Perfeito
Quem pouco faz
De tudo tem
Enquanto quem tudo faz
Nada
Ainda há quem aponta ao sul
"Veja os erros"
Quando te esqueces a janela aberta
Por ela entram palavras mordazes
Quando a vida toda não é sua
Então, resoluto, decides tentar
"Não minta, não sinta, calado"
Os olhos, tão rasos, transbordam
Será, céus, que não sou digno
Não sou de acreditar?
De que vale a moldura
Se o quadro jaz vazio?
Por que são terríveis as pessoas?
Pelo qual julgam esforços alheios?
O pior são as facas afiadas
São as palavras sangradas
Terrível é descobrir que ninguém mede palavras
Todavia as suas devem seguir a métrica
As seguia antes, mas cansei
Cansei de abster-me de falar
Quando os refluxos sobem à cabeça
Quando te acostumas ao pelego
Quando tenta agradar a todos
Quando sua vida é a minha, cuidado
Adverte-vos-Hei :
nem a morte é uma escolha
Sua letra, seu estilo, o que gostas
Nada é ou pode ser se não agrada
Dizem que a culpa é das estrelas
Que o aval fora do "Bom Deus"
Que num empertigado céu se resolve
Enquanto o único culpado sou eu
As estrelas morreram, são poeiras
O deus que pregam é um demônio mau
O céu não é assistência técnica
Quem permitiu foi eu
Agora esperam o espetáculo
Porque ensaios científicos são chatos
E ninguém aprecia o ignoto(vocês não)
Castiga o aparelho defeituoso
Sabe o que a tão sagrada bíblia diz?
Julgai, guerreai e matai em nome d'Ele
Mas, os aristocratas canônicos não se importam
As beatas, os leigos, os hereges
Ninguém se importa quando está bem
E os dedos apontam
Dedos de merda que cagam
Cagam pros outros
A merda fede
Mas fede mais seus genitores
Porque estão podres por dentro
E se alimentam de hóstias
E são fieis ao que há de pior
E não se importam com quem chora
Querem impor
Querem falar
E estou cansado de ouvir
Meus ouvidos sangram
Vomito os refluxos em palavras
E a música não sai à cabeça
Há dias mais legais
Há dias mais chatos
E há dias como hoje.
Luiz Jonatan
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Eternidade
Sinto tua falta
Mas não o conheço
Sei que estivera
E se foi
A tristeza me persegue
Da infância a aqui
O tempo pesa
E não passa
Eu quero chorar
Mas não sei
E gritar até sumir
Sem voz
O abismo está próximo...
E se eu pular?
Estarás aí embaixo?
Tu existes?
A vida é uma merda
Se entrega aos errados
Nunca a pedi
Onde estás?
Será que tem sentido?
Isso tudo é necessário?
Eternidade infeliz
Onde está você, eu ?
Mas não o conheço
Sei que estivera
E se foi
A tristeza me persegue
Da infância a aqui
O tempo pesa
E não passa
Eu quero chorar
Mas não sei
E gritar até sumir
Sem voz
O abismo está próximo...
E se eu pular?
Estarás aí embaixo?
Tu existes?
A vida é uma merda
Se entrega aos errados
Nunca a pedi
Onde estás?
Será que tem sentido?
Isso tudo é necessário?
Eternidade infeliz
Onde está você, eu ?
Natal
As luzes oscilam
A escuridão se completa.
Estou aqui?
Sangue
A escuridão se completa.
Estou aqui?
Sangue
Pisca-piscas policiais
O rojão de suas armas
As estrelas e um corpo:
Feliz Natal
O rojão de suas armas
As estrelas e um corpo:
Feliz Natal
Morrer é tão rápido...
Se perder também
Em balas perdidas,
Na brancura da dor
Se perder também
Em balas perdidas,
Na brancura da dor
O vermelho é um gorro
Em minha cabeça furada
Estava frio e me cobriram
Eles são bonzinhos, amor
Em minha cabeça furada
Estava frio e me cobriram
Eles são bonzinhos, amor
Agora sou Papai Noel
Há vermelho em mim
Em meus braços, peito
Há sangue em meu cu.
Há vermelho em mim
Em meus braços, peito
Há sangue em meu cu.
Recordo as luzes
Vermelho e Azul
Um som (fogos?)
Feliz Natal
Luiz Jonatan
Vermelho e Azul
Um som (fogos?)
Feliz Natal
Luiz Jonatan
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