quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

É hoje

Tu me cobras a infância
Quando já não mais sou criança
Tu me pedes passado
Quando não mais ha lembranças

Não sou
Não desejo
Não hei de vir a ser
Perfeito

Quem pouco faz
De tudo tem
Enquanto quem tudo faz
Nada

Ainda há quem aponta ao sul
"Veja os erros"
Quando te esqueces a janela aberta
Por ela entram palavras mordazes

Quando a vida toda não é sua
Então, resoluto, decides tentar
"Não minta, não sinta, calado"
Os olhos, tão rasos, transbordam

Será, céus, que não sou digno
Não sou de acreditar?
De que vale a moldura
Se o quadro jaz vazio?

Por que são terríveis as pessoas?
Pelo qual julgam esforços alheios?
O pior são as facas afiadas
São as palavras sangradas

Terrível é descobrir que ninguém mede palavras
Todavia as suas devem seguir a métrica
As seguia antes, mas cansei
Cansei de abster-me de falar

Quando os refluxos sobem à cabeça
Quando te acostumas ao pelego
Quando tenta agradar a todos
Quando sua vida é a minha, cuidado

Adverte-vos-Hei :
nem a morte é uma escolha
Sua letra, seu estilo, o que gostas
Nada é ou pode ser se não agrada

Dizem que a culpa é das estrelas
Que o aval fora do "Bom Deus"
Que num empertigado céu se resolve
Enquanto o único culpado sou eu

As estrelas morreram, são poeiras
O deus que pregam é um demônio mau
O céu não é assistência técnica
Quem permitiu foi eu

Agora esperam o espetáculo
Porque ensaios científicos são chatos
E ninguém aprecia o ignoto(vocês não)
Castiga o aparelho defeituoso

Sabe o que a tão sagrada bíblia diz?
Julgai, guerreai e matai em nome d'Ele
Mas, os aristocratas canônicos não se importam
As beatas, os leigos, os hereges

Ninguém se importa quando está bem
E os dedos apontam
Dedos de merda que cagam
Cagam pros outros

A merda fede
Mas fede mais seus genitores
Porque estão podres por dentro

E se alimentam de hóstias
E são fieis ao que há de pior
E não se importam com quem chora

Querem impor
Querem falar
E estou cansado de ouvir

Meus ouvidos sangram
Vomito os refluxos em palavras
E a música não sai à cabeça

Há dias mais legais
Há dias mais chatos
E há dias como hoje.


Luiz Jonatan

Eternidade

Sinto tua falta
Mas não o conheço
Sei que estivera 
E se foi

A tristeza me persegue
Da infância a aqui
O tempo pesa
E não passa

Eu quero chorar
Mas não sei
E gritar até sumir
Sem voz

O abismo está próximo...
E se eu pular?
Estarás aí embaixo?
Tu existes?

A vida é uma merda
Se entrega aos errados
Nunca a pedi
Onde estás?

Será que tem sentido?
Isso tudo é necessário?
Eternidade infeliz
Onde está você, eu ?

Natal

As luzes oscilam
A escuridão se completa.
Estou aqui?
Sangue
Pisca-piscas policiais
O rojão de suas armas
As estrelas e um corpo:
Feliz Natal
Morrer é tão rápido...
Se perder também
Em balas perdidas,
Na brancura da dor
O vermelho é um gorro
Em minha cabeça furada
Estava frio e me cobriram
Eles são bonzinhos, amor
Agora sou Papai Noel
Há vermelho em mim
Em meus braços, peito
Há sangue em meu cu.
Recordo as luzes
Vermelho e Azul
Um som (fogos?)
Feliz Natal

Luiz Jonatan