sexta-feira, 27 de março de 2015

Soneto Sem Nome

Se me olhas, oh flor,
Faz-me amante,
Faz-me poeta,
Me desfaz.

O que faço, oh flor,
É te olhar
É cantar
É te amar

Me refaço a cada manhã
A cada primavera
À iminência de um amor

Mas, flor, me desfaço
Desabrocho, murcho
Morro e renasço

Luiz Jonatan

domingo, 8 de março de 2015

Parque

Não me veem
Mas ouço o pulsar,
Dos corações,
Igual.

O farfalhar
Das folhas pisadas, ah...
Sobressalto a um latido
Úmido e quente amor

São crianças envelhecidas
Duas aves num jardim
São como o pôr-do-sol:
Faço gosto em ver

Mas devo cuidar
O silêncio é poeta
Fique quieto
Veja

O sol já se vai
Um céu alaranjado
Raios em olhos verdes
Um canino ao lado

As lentes captam apenas fótons!
A energia se conserva é nos corações.
Os vejo andar por terra nua
Bucólica oração

Está sempre lá,
o Parque,
a orar
pelo amor.

O sol já se vai...
São quatro lentes iluminadas
Dois óculos
um só coração.

Luiz Jonatan