domingo, 31 de agosto de 2014

Pertence

Tudo o que tenho não é meu:
São alegrias aladas
Voam aos céus
Livres como um gás.

Deixam atrás
Pre-palavras
Entre um adeus e
Sombras de véus

Não me importo se vão:
Ao menos ficaram.
Se puder recordar,
Me farei Salomão[...]

Me olhas, te sinto
Amor em pensamento.
Te vais e percebo
O que diz em silêncio.

Quis trancafiar como o dinheiro
Mas, se o faço, verdadeiramente 
Me prendo e perco-o de repente

Recluso, te tornas estéril, indiferente
O que me pertence  é livre
E voa a todo instante

É livre para escolher
Livre para não ficar
Livre para permanecer
Livre para se libertar

Tudo o que tenho não é meu
Porque propriedade é privada
Mais fortes as amarras
Que não se prendem a nada

Voar, vou, ar, de ninguém.

Luiz Jonatan

sábado, 30 de agosto de 2014

Aprendiz

Tu me ensinas?
A amar,
A ser melhor,
A morrer?

Quero saber:
Como guardar lembranças?
Como não ceder à agonia?
Como voltar a ser criança?

Devia ser expurgado
Maldito ,inesperado
Te odeio e te uso
Em cada instante, cada parágrafo

Que me ensines
Que me parta
Que te escondas
Tu me matas

Assim, nostalgico
Recordo
Nem cogito se fora
Mentira ou verdade.

                  Luiz Jonatan

Viajante

Ele buscava o que não sabia
E não sabia o que buscava
Todavia, por mais que o fizesse
Por mais que buscasse, nada [...]

Dos que o encontraram
Poucos os não feridos
E o couro batido
Mostra a face entrementes a suspiros

Só atrai o impossível
Assim caminham os homens
Assim se fazem ouvidos
Assim aparece e evanesce[...]

Encontrara, certa vez, similar.
Desposara de um sonho,
Morto antes de respirar
Mas tua inquietude o fizera tristonho

A morte, sinuosa,
De curvas atraentes,
Gestos pomposos,
Sua alegria doente
Vem e se vai...

Quando não há o que fazer,
Se esvai a alegria.
Eis que surge o maldito Anjo
Que tanto Russo predilezia

Ele quer não precisar
Esquecer, sepultar
Mas o Anjo sempre vem

Deseja alguem
Ser o que é utópico
Ter o impossivel
Ouvir todos os seus tóxicos

Morrer mais rapidamente
Partir sem que percebam
Manter-se forte a todo instante
Deixar que, como ele, o esqueçam.

                 Luiz Jonatan

domingo, 17 de agosto de 2014

Circo

Vida circence
Versos dolentes
E algumas risadas

Dias corridos
Tempo perdido
E sempre nada

É um engraçado,
Desgraçado,
E pungido.

É um sei lá
Um talvez
É um missal de porquês
Porquês escondidos
No seio do que não perece
Tampouco evanesce
Perdido

Quando fecham as cortinas
Não há mais sentido
Não tem mais piada
Há só um esquecido

Todavia, toda via é igual
Leva sempre a um sei lá
Às vezes faz mal
Mal podem esperar

Ávidos por espetáculos
Guarnecem em Tabernáculos
Sua Tragédia Grega...

Com fim da apresentação
Maldito e impertinente coração
Pulsa pesado e acuado

Rompe as herculias vidraças
Duma redoma facínora
É ignoto se chora
Se morre, se grita

E fechadas cortinas
Cessado o show
Ninguém se atentou
À ausência do apresentador
O que vale é a presença de quem faça sorrir

Se tiver de partir,
Que o faça em espetáculo
Posto que o povo é guiado
Por mortes, engraçado.