domingo, 17 de agosto de 2014

Circo

Vida circence
Versos dolentes
E algumas risadas

Dias corridos
Tempo perdido
E sempre nada

É um engraçado,
Desgraçado,
E pungido.

É um sei lá
Um talvez
É um missal de porquês
Porquês escondidos
No seio do que não perece
Tampouco evanesce
Perdido

Quando fecham as cortinas
Não há mais sentido
Não tem mais piada
Há só um esquecido

Todavia, toda via é igual
Leva sempre a um sei lá
Às vezes faz mal
Mal podem esperar

Ávidos por espetáculos
Guarnecem em Tabernáculos
Sua Tragédia Grega...

Com fim da apresentação
Maldito e impertinente coração
Pulsa pesado e acuado

Rompe as herculias vidraças
Duma redoma facínora
É ignoto se chora
Se morre, se grita

E fechadas cortinas
Cessado o show
Ninguém se atentou
À ausência do apresentador
O que vale é a presença de quem faça sorrir

Se tiver de partir,
Que o faça em espetáculo
Posto que o povo é guiado
Por mortes, engraçado.

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