terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Gravidade

Quando há vazio
Quem de vocês não o faz,
Buscar preenchê-lo?
Drogas, deuses, convicções

Tantas ações irresolutas
E tantas lutas em vão
Paliativos não curam
fazem acostumar

Todavia, sempre vence
A gravidade, a morte, o tempo
Quem perde somos nós
A vida em muitos atos

Após inflares, prólogos, airas, morre
Enfim rompeu a pompa
Percebe agora que é necessário envelhecer?
Amadurece e aceita.

Aceita o que não é mais teu
Aceita pois nunca fora
O que lhe resta é te conformar
Não choras, não sabes fazê-lo

São muitos tempos
e te prendes ao pretérito?
ouves o imperativo,
mas não conjugas o presente

Não há mais remédios
ou bombas para o inflar
Se não te suportas,quem o fará?
Eis vencido.

Luiz Jonatan







quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O mesmo

Ontem a lua não veio
Eu a esperei toda a noite
Não vem
Nunca vem

A todo tempo
Em qualquer lugar
Sempre vence a ilusão
A ausência lírica de lua

Quem ousa a iludir-se
Quem ousa em crer
Descobre que os secos estavam certos
Não há porquês.

Há tantos paliativos
e pessoas que se incomodam
Bem como vermes
que se alimentam do meu ser

São tantos demônios sussurrantes
que a junção de sibilos me são música
Uma batida calma e cada vez mais lenta
Inebria e volve a dançar por entre gritos

São demasiados gritos
Não cogito qual realmente é meu
Tampouco se há de fato algo meu em mim
Enfins, reticências e balbuciar

Já raia o dia
O sol entediante se aproxima
E a lua...bem, ela me esqueceu.

   Luiz Jonatan