terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ser

Ele
Era
Fora
Outrora
Há outra hora
Não mais
Jamais
O mesmo
Ninguém
Vazio
Aberto
Repleto
De nada
Calado
Velado
Morto
E vivo
Amar
Não sabe
Destrói
A si
E pensa
Em outrem
[...]
Só
Pó
Em'strada
Muitos
Mas ninguém
Além dela
Solidão
Evasão
De si
Pensamentos
Escusos
Surreais
Alegrias
E morte
Ele
Eu
So(u)mos
     
Luiz Jonatan

domingo, 19 de outubro de 2014

Procura

Estou cansado de andar em círculos
Não importa quando e onde vá
Vazio
Tampouco com quem, nada além
Vazio
Tal qual a escuridão
Alegro-me com noites:
O sono me faz olvidar
Nem sempre consigo
Sempr ela, a lua
Me olha, me toca, me toca
Com tuas mãos, tão frias
Vazias, aliciam
Cada vez que me toca
Me esvazia de nada
Não se aproxime, cuidado
Não sou o que pensara ser
Afasta-te de mim
E deixa a noite chegar
Eu só quero que acabe o dia
Que chegue ao fim
Estou cansado de mim
De buscar o que parece não existir
O que não me dou
Não possuo, não me é
E aprendemos
Gravamos
Reproduzimos
Pregamos
Pra quê?
Por quê?
Não sei
Não sabes
Não sabem
Deus, só queria crer!
Acreditar no belo
Crer que é necessário
Ficar neste inferno
Tu me diz que é assim
Fazer o quê?
Não sou um alguém conformável
Tu me digas: pra que diabos viver?
                     Luiz Jonatan

sábado, 11 de outubro de 2014

Odores

Hoje cheira a domingo
A fim de feira
Cheira fedido
Cheiro de nada
O ônibus cheio
Perdido em cheiros
O dia tão cheio
Me encheram de nada
Vadio perfume
Me embrulha as entranhas
E o cheiro de vômito
Não cheira a nada
Reluz o poema
Sulfeto ferroso
Cacos de vidro
Palavra inválida [...]
Teu cheiro em suor
Me faz transpirar anseios
O que quero e não devo
A moral cheira mal
No fim do dia
Cheiro a exaustão
É uma confusão de palavras
De cheiros repletos de nada
Os estupros no ônibus
Cheiram a pranto
Sabor salgado
Cheiro molhado
E a arma
Cheiro de pólvora
De sangue
E nada
Cheiramos a medo
Desejos velados
Sentimentos cerrados
A todas palavras
Meu cheiro sulfídrico
Corrói o cobre da fiação
Acaba a luz
Não há energia
Escrevo no escuro vacilante
Cheiro a medo
À minha carne podre
A meu eu errante
E ainda há quem reclame
A prata escureceu
Minha parcela de culpa
Mas não há luz. Não vês.
Ne me quitte pas
Quero cheirar
O amor
 
                     
 Luiz Jonatan