Hoje cheira a domingo
A fim de feira
Cheira fedido
Cheiro de nada
A fim de feira
Cheira fedido
Cheiro de nada
O ônibus cheio
Perdido em cheiros
O dia tão cheio
Me encheram de nada
Perdido em cheiros
O dia tão cheio
Me encheram de nada
Vadio perfume
Me embrulha as entranhas
E o cheiro de vômito
Não cheira a nada
Me embrulha as entranhas
E o cheiro de vômito
Não cheira a nada
Reluz o poema
Sulfeto ferroso
Cacos de vidro
Palavra inválida [...]
Sulfeto ferroso
Cacos de vidro
Palavra inválida [...]
Teu cheiro em suor
Me faz transpirar anseios
O que quero e não devo
A moral cheira mal
Me faz transpirar anseios
O que quero e não devo
A moral cheira mal
No fim do dia
Cheiro a exaustão
É uma confusão de palavras
De cheiros repletos de nada
Cheiro a exaustão
É uma confusão de palavras
De cheiros repletos de nada
Os estupros no ônibus
Cheiram a pranto
Sabor salgado
Cheiro molhado
Cheiram a pranto
Sabor salgado
Cheiro molhado
E a arma
Cheiro de pólvora
De sangue
E nada
Cheiro de pólvora
De sangue
E nada
Cheiramos a medo
Desejos velados
Sentimentos cerrados
A todas palavras
Desejos velados
Sentimentos cerrados
A todas palavras
Meu cheiro sulfídrico
Corrói o cobre da fiação
Acaba a luz
Não há energia
Corrói o cobre da fiação
Acaba a luz
Não há energia
Escrevo no escuro vacilante
Cheiro a medo
À minha carne podre
A meu eu errante
Cheiro a medo
À minha carne podre
A meu eu errante
E ainda há quem reclame
A prata escureceu
Minha parcela de culpa
Mas não há luz. Não vês.
A prata escureceu
Minha parcela de culpa
Mas não há luz. Não vês.
Ne me quitte pas
Quero cheirar
O amor
Quero cheirar
O amor
Luiz Jonatan
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