Era um poeta
O pior de todos
O mais miserável
Era um amante
Ou tentava
Decadente (tsc tsc...)
Era um nada
E não desejava ver
Que era sua escolha ,
Mas era um poeta miserável...
Cultuava a própria putrefação
Aspirava a carnificina
Moldava uma mentira
Se enganava
Ah, desgraçado...
Por quê não cumpre os desejos?
Rasga a carne que escorre a tinta
Acaba a imundície da existência
Mas é um poeta miserável...
Havia ainda um pedaço de papel
Não escorrera toda a tinta
E o medo o sussurra, sempre
Vai andando o poeta
Uma folha aqui, um poema lá
Uma paixão, um choro mudo
Um anseio definitivo
É um corpo oco, um poeta vazio
Algo desprezível
Lamurioso, insignificante
É um covarde, não vai.
Luiz Jonatan