segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Desprezo

Era um poeta
O pior de todos
O mais miserável

Era um amante
Ou tentava
Decadente (tsc tsc...)

Era um nada
E não desejava ver
Que era sua escolha ,
Mas era um poeta miserável...

Cultuava a própria putrefação
Aspirava a carnificina
Moldava uma mentira
Se enganava

Ah, desgraçado...
Por quê não cumpre os desejos?
Rasga a carne que escorre a tinta
Acaba a imundície da existência

Mas é  um poeta miserável...
Havia ainda um pedaço de papel
Não escorrera toda a tinta
E o medo o sussurra, sempre

Vai andando o poeta
Uma folha aqui, um poema lá
Uma paixão, um choro mudo
Um anseio definitivo

É um corpo oco, um poeta vazio
Algo desprezível
Lamurioso, insignificante
É um covarde, não vai.

              Luiz Jonatan

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