sábado, 14 de fevereiro de 2015

Mais uma vez


Todo o escrito se apagara
E a memória falha, olvida
Sendo sincero,
Deseja fazê-lo, a mesma

Encobre a face e se contrai
por entre escusos sentimentos
Confusos, aturdidos
Suspende os sentidos e descontrai

A cada passo incerto
grita a razão: cala-te, coração
Resoluto, ele vai
uma parada cardíaca

São sempre os mesmos erros
as mesmas pessoas,
Porém, não as mesmas
Com efeito, o mesmo eu

É sabido dos contos de fada
Mas não o é dos contos-tanto-faz?
Os bem sei e desconheço
O começo do meu fim.

Agora diz-me de valores
Abstração não recristalizada
num mundo onde se misturam
preço e valor, apreço e amor

Uma falsa solução
descoberta pelo efeito Tyndall
À luz de uma algoz sanidade
eis-me aqui mais uma vez

Já não empunho uma caneta
mas deslizam meus dedos pulsantes
O papel não fora esquecido
Mas aqui o erro pode ser destruído

Os erros são apagados, esquecidos
Mas a memória nem sempre falha
A memória é terrível sem querer
E mais uma vez, contração

Até quando remeteremos à nostalgia?
Se bem que há um emprego incorreto
Este vocábulo não expressa o que desejo
Porém, não há palavra que cumpra bem sua função

Não há aquele que sinta o mesmo
São outros invernos, outras cores
Não as vemos de mesmo modo
E há muitos de entender uma poesia.

Luiz Jonatan


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