Naquele dia, não se olharam dignamente: os soslaios mesclados de curiosidade se fizeram discretos. O embalo endonarva seus corpos mudos - que outrora gargalhavam entrementes uma pessoa e outra - e a noite permanecia de olhos abertos; fones, cansaço e bolsas complementavam o cenário do que estava por vir. Eu não o vi de mesmo modo. Na verdade, nunca tinha o visto inteiramente, mas voltemos aos olhares: um permanecia resolvido, contemplava o mundo, embalado por sons, enquanto fitava a realidade; o outro, intermediário, lutava consigo e seus egoísmos, com seus medos e desejos. Tal qual uma ponte, possibilitava o acesso, mas também autolisava e estremecia com o tempo. Se sentia um nada, uma pulga, mas resistia a tais pensamentos[...]. Ainda sobre a tríade, o último, mais denso e empertigado, observava atentamente o tempo e intenções transcorrer, repleto de pompa e abstrações.
Não entendo o porquê de certos resguardos, todavia tentei veementemente compreender:fora falha tentativa. Os bons sentimenos necessitam de escapes frágeis, os quais se decompõem com o ar e são esquecidos. Permanece aquela lembrança bastante a um patrono. Eu de fato desejava que as vias se esticassem e a viscosidade do tempo aumentasse ao máximo para que, mesmo em cinema mudo, aquela cena fosse eternizada e a viagem também. Não obstante, ele sempre espera um abraço, um afago, mas, sobretudo que não seja vencido pelo egoísmo e assim permita o que talvez não tenha impedido. Espera, ainda, que o mundo fitado pelo outro seja para este um seio materno, que o alegre como faz a mim.
Ele não compreende a pompa e receio de amar. Não entende a mim. Não me cogito.[...]
Tendo em vista que a característica principal de um sonho é não pertencer à realidade, os corpos desentornaram, as vias estreitaram, cessou o embalo bem como a cena, a meu olhar, feliz. Cada um seguiu teu caminho, '' até amanhã ''.
Luiz Jonatan
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