Diálogo de pólos
Certa vez, nas muitas voltas da vida,
Uma dama, olhos negros vesanos,
Ignota, porém conhecida,
Questionou, de sobressalto, meu ser insano
''Como vai ela?''
Quem diabos seria?!
''A poesia em sua vida''
Ah, esquecer, quem pudera?
Ainda mais eu, plangente
Que dos versos às volúpias de um poema
Atroz, incapaz e dolente
Desconhece onde de si é são ou doente
Ele me vem - o poema - de repente
Fico pávido, pesaroso e contente
E a luxúria dos vocábulos me inebriam
Em meio a um gole de melancolia
Minha erma inspiração é ignota à luz
Mas, no breu de minh'alma, mostra as faces
E o que dizem ser ''autismo'' é confusão una
Diga-me você, dama de hábeis perguntas,
Como poderia eu, verme mortal pungido, feliz (?),
Abster-me da divã de minha vida?!
Luiz Jonatan
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