domingo, 11 de maio de 2014

Mães

Mães 


Cá, no ocidente planetário, diz o calendário civil
Que o segundo domingo de Maio é delas
Das mães

As mesmas mãos que empunham neste dia rosas
Que depositam no seio de suas amas
São algozes fezes defecadas, não paridas
Que neste dia, por força do hábito, se perfumam

Prostrando por terra esse meu naturalismo atroz,
Há filhos que são dignos de tal título
Não foram cagados e sim paridos
Por um ventre divino e amaldiçoado

É pecado olvidar as mães tias, avós, mulheres
Também o é expurgar os homens-mãe
Mas confesso que elas são elas
E que ser mãe é espelhar-se em divindade

Ser mãe é ir além das limitações humanas
Sem deixar de lado a humanidade;
É entregar-se em função dos filhos
E das fezes defecadas

Não sou, eu nada, digno de definir tão sublime ser
E, por isso,como mesmo proclamam:
"Quando forem mães, saberão o que é ser uma".


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